Sozinha só Hoje



Nada de dormir na casa da vizinha. Regra de hoje: fazer o que se deseja. Só quero a auto companhia.
Já tirei o telefone do gancho, desliguei computador e celular. Família e amigos não existem, namorado até poderia, mas já ouvi suas palavras e notícias diárias que me contentam, hoje é o suficiente.
O barulho do chuveiro e o som alto me fizeram não perceber o temporal. Deixa a minha voltagem ser zero só um pouco e até ter imprudências com a segurança da casa. Ficar aqui com um rascunho e poder encontrar poesias minhas e alheias. Viajar nas paredes infinitas do lugar chamado Livro. Sossegar.

Autora: Louise Romano
Escrito em: 02/12/2009

sem título


Olhar para essa apatia
não aguento mais.
Sem rumo nessa
toda confusão.

Mente frágil por
pensar demais.
Corpo abatido
pelas indecisões.
Respostas consolidaddas
na inconformação.

Matéria
fortemente sensível
incomodada
pelo próprio olhar
e perceber insatisfação.
Querer não é poder.

Fica difícil
encarar a si.
Encontrava antes
esperança
no olhar alheio.
Hoje é tudo turvo.

Autora: Louise Romano
Escrito em: 04/11/2009

Estranho amor


O jeito que você me ama: estranho.
Sempre que precisa me dedico.
Uma entrega a decepção certeira.
Tem o poder de estragar o que vai bem.
Antes era primeiro lugar.
Hoje só chama para lhe salvar.
Cansada das suas falhas abruptas.
Resolvi secar as lágrimas e a voz.
Acostume-se com minha frieza.
Sem perceber pede esse comportamento.
Não só lamento, como triste fico.
Mas me habituo.

Autora: Louise Romano

Escrito em: 02/11/2009

Um gostar racional

Eu quero, mas será que posso?
Dizem que não
mas é demais para mim.
Talvez seja na medida
só o tempo é quem sabe.

O medo é meu freio
com isso sigo e aceito
esse novo estado.

Não consinto assim tão fácil
Reflito e percebo que gosto disso.

Autora: Louise Romano

Escrita em: 29/09/2009

Comunicação estranha



Que jeito estranho é esse que as pessoas tem de se expressar através de sons emitidos pelo movimento da boca, língua e dentes. Elas conseguem se entender e eu não consigo transmitir desse jeito nada, é muito difícil e nenhum pouco natural, quase uma repetição ensaiada. Um sorriso ou gargalhada é inevitável, mas só isso. Se o normal fosse mandar bilhetinhos com sua face dizendo algo, comunicar-se seria tão mais fácil. Ou então gestos dançados compreensíveis a todos, para mim de uma forma ou de outra tanto faz.Mas essa coisa de ter que abrir a boca exige muita coragem.

Escrito em: 21/09/2009
Autora: Louise Romano

Óculos Escuros

A frente dos seus negros olhos ele usava uma delicada fonte de poder. Com essa, avistava e desolhava, vestia e desnudava.
Os olhares alheios nem imaginavam o alcance que poderia chegar. Ele pelo contrário, fitava tudo o que não podia com essa venda radiográfica.
Usava até para não ver e ninguém perceber.
Quebrando-se, parte dele se desfazia. Sem o objeto podia sim enxergar, mas, certos olhos seriam capazes de derrubá-lo. Já com a ausência da sensação de alguns ia um vazio ficar.
Autora: Louise Romano
Escrito em: 01/09/2009

Levar a vida


Precisa ser tão desgastante intenso e doloroso? Tem sido fácil me abalar. Uma brisa já me derruba. No ápice da sensibilidade consigo sentir meu sangue pulsando nervoso em minha veias. No pico do medo cada dia fica mais difícil de puxar o ar. Na certeza da censura a água corre não posso controlar. No auge da ansiedade me mutilo pouco a pouco, algo imperceptível , são unhas, cutículas, arranhões ... Pois a dor física alivia a hemorragia interna que com algum esforço tenta ser contida. Porém, a cada passo pareço estar em um campo minado. E os fatos simultâneos em demasia, geram bloqueios e embaraços. Aceitar as coisas com simplicidade, dizendo "amém" sem questões seria um viver desse jeito mais leve, prazeroso e indolor?

Autora: Louise Romano
Escrito em: 01/09/2009

sem título

O poder que você exerce
sobre minha vida é
imenso e inexplicável.
E eu abomino isso.

Admiração quase cega
misto de temor angustiante.
Estranho e que satura.
Quero fugir dessa loucura.

Tenho que esperar
o tempo combinado acabar
e então me livrar.

Autora: Louise Romano
Escrito em: 07/08/2009

sem título


Socorro meu povo

Socorro é o porco
que eu nem comi
mas me faz mal.

Socorro meu povo.
Não seja hipócrita.

Socorro é arroto
quase ancia
de tanto nojo
desses segredos todos.

Socorro meu povo.

Escrito em: 28/07/2009
Autora: Louise Romano

sem título

Amanhã eu faço...
Depois verifico...
Mês que vem vou...
Deixa isso...
Irei mas não agora.
Nesse momento não dá.
Só um instante... (eterno).

Escrito em: 09/07/2009
Autora: Louise Romano